Benefício negado na perícia médica? Saiba o que fazer quando o perito do INSS discorda dos seus laudos

Perícia médica

Receber a resposta de benefício negado na perícia médica é uma das situações mais frustrantes para quem está doente e precisa do auxílio-doença ou da aposentadoria por incapacidade. 

Muitas vezes, o segurado chega ao INSS com laudos recentes, exames e relatos claros da incapacidade, mas o perito conclui que “não há incapacidade laboral”. O resultado é um verdadeiro impacto financeiro e emocional.

A boa notícia é que existem caminhos administrativos e judiciais para reverter esse cenário. Isso desde que você entenda como funciona a perícia, por que os benefícios são negados e quais provas realmente fazem diferença. Continue lendo até o final e descubra tudo isso e muito mais.

Por que o benefício pode ser negado mesmo com laudos médicos?

O ponto mais difícil de compreender é que os laudos particulares não têm força automática na decisão. Isso porque o perito do INSS segue protocolos internos, avalia o conjunto de provas e faz um exame próprio. 

Por isso, é comum ver um benefício negado na perícia médica mesmo quando o segurado apresenta exames claros.

Isso acontece, principalmente, por três razões:

  1. O perito entende que a doença existe, mas não causa incapacidade para o trabalho;
  2. Os documentos apresentados não demonstram perda funcional suficiente;
  3. Há divergências entre o que o médico particular descreve e o que o segurado relata durante a perícia.

Saber isso ajuda a agir de forma estratégica no recurso.

Primeiro passo após o benefício ser negado na perícia médica: pedir revisão (pedido de reconsideração)

Quando ocorre um benefício negado na perícia médica, o INSS permite o chamado pedido de reconsideração. Isto é, uma segunda avaliação feita por outro perito. É importante agir rápido, pois o prazo é curto e a solicitação deve ser direto pelo Meu INSS.

No pedido, inclua novos documentos, principalmente se:

  • Houve piora recente;
  • Surgiram novos sintomas;
  • Você fez exames complementares após a primeira perícia.

É a oportunidade de deixar mais claro aquilo que não pôde se observar no primeiro atendimento.

Quando vale a pena entrar com recurso administrativo?

Se a reconsideração não resolver, ainda existe o recurso administrativo, no qual o caso passa pela análise de uma junta da própria Previdência. Ele é útil quando o problema está na interpretação dos documentos ou quando a conclusão do perito parece insuficiente diante do conjunto de provas.

No entanto, o recurso tende a demorar mais e nem sempre muda o resultado. Por isso, é comum que segurados busquem a via judicial nesse momento.

Via judicial

Quando o segurado sofre um benefício negado na perícia médica sem justificativa convincente, a Justiça costuma ser o caminho mais eficiente. Isso porque:

  • O juiz pode nomear um perito especialista na sua doença;
  • Os laudos particulares têm maior peso probatório;
  • O processo analisa não só o exame do INSS, mas o histórico completo de saúde e trabalho.

Na área judicial, doenças como depressão, fibromialgia, hérnias de disco, câncer e doenças ortopédicas complexas costumam ter maior reconhecimento, principalmente quando o médico assistente descreve claramente as limitações funcionais.

Quais provas realmente fortalecem o caso?

Aqui está um ponto decisivo: a qualidade das provas importa mais do que a quantidade. Dessa forma, entre os documentos mais eficazes estão:

  • Laudo detalhado com CID, histórico da doença e limitações funcionais;
  • Exames que mostram evolução ou piora (ressonância, raio-x, eletroneuromiografia, tomografia, exames psiquiátricos etc.);
  • Relatório de fisioterapia, psicoterapia ou acompanhamento médico contínuo;
  • Prontuários hospitalares em caso de internação ou procedimentos recentes.

Por outro lado, documentos curtos, genéricos ou sem indicação clara da incapacidade costumam ter pouco impacto.

O que fazer para evitar um novo benefício negado na perícia médica?

Ser estratégico é essencial. Assim sendo, antes da perícia:

  • Organize os documentos na ordem cronológica;
  • Leve tudo impresso, mesmo que já tenha enviado pelo aplicativo;
  • Descreva fielmente suas limitações, sem exageros, mas sem minimizar sua condição;
  • Explique como sua doença afeta tarefas simples do dia a dia e atividades do trabalho.

Tenha sempre em mente que o perito precisa entender o impacto real da doença na sua rotina.

Conclusão: não desista ao receber um benefício negado na perícia médica

Ter um benefício negado na perícia médica não significa que você não tem direito. Muitas decisões se revertem quando o segurado insiste, reúne provas melhores e recorre da forma correta.

Seja pela reconsideração, recurso administrativo ou processo judicial, o importante é não deixar o caso parado, principalmente quando a incapacidade é real e comprovável.

Portanto, se você enfrentou uma negativa, não desista. Procure ajuda de um profissional, se necessário, e exija o que é seu por direito.

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